terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Roberto Cabrini faz palestra em comemoração dos 120 anos de jornal em Araras (SP)

Os desafios do jornalismo investigativo, seus riscos, suas recompensas, seus bônus e ônus, num País e num tempo que rendem, com frequencia, pautas expondo dramas e situações chocantes, em quase todas as áreas – segurança, saúde, cidadania, comportamento.

Esse será o tema central da palestra que o jornalista Roberto Cabrini vem proferir em Araras, no dia 12 de janeiro, a partir das 20h, no Teatro Estadual Maestro Francisco Paulo Russo.

O evento é destaque na programação de festejos pelos 120 anos da Tribuna do Povo, jornal fundado em janeiro de 1.892 e que jamais deixou de circular desde então. A palestra integra, também, a programação oficial de festejos pelos 150 anos de fundação de Araras. (Veja quadro nesta página com a programação completa).

Cabrini aceitou prontamente o convite da equipe da Tribuna e virá falar para convidados, numa noite que promete entrar para a história não só do jornal como da comunicação em Araras. E não é para menos: com um currículo vasto e abrangente, Cabrini é um dos mais premiados profissionais do Brasil. Suas reportagens especiais ou séries de reportagens marcantes, ganharam repercussão dentro e fora do País, além de alterar o curso dos acontecimentos posteriormente, em casos nos quais providências foram tomadas por autoridades para corrigir sérios problemas de alcance coletivo.

Por telefone, ontem, o jornalista falou sobre suas expectativas em relação à vinda para Araras e também sobre o jornal. “Será uma honra muito grande estar aí na cidade”, afirmou, acrescentando que tem muito respeito pela história do jornal e pelo que ele representa. “Você mede o nível de democracia de um País pelo nível do jornalismo que se pratica nele. E um jornal com 120 anos de atuação, sempre ajudando nesse processo de democratização, é algo de mais latente, de mais desejado que se pode produzir”, disse.

De Piracicaba para o mundo - Nascido em Piracicaba em 3 de outubro de 1.960, Cabrini começou a carreira aos 16 anos numa rádio e num jornal da mesma cidade. Aos 17, foi contratado pela TV Globo como o mais jovem repórter do telejornalismo de rede do Pais, inicialmente cobrindo a área esportiva.
Foi correspondente internacional da Rede Globo em Londres e Nova York, ganhou os principais prêmios como repórter investigativo (Esso, APCA, Líbero Badaró, Imprensa,Tim Lopes e Vladimir Herzog) e cobriu seis guerras.

Em 28 anos de carreira, Roberto Cabrini cobriu diversos conflitos internacionais (Afeganistão, Iraque, Palestina, Camboja, Caxemira e Haiti); participou de cinco Olimpíadas e cinco Copas do Mundo; foi correspondente por oito anos - quatro deles em Londres e quatro em Nova York - além de realizar coberturas em mais de 60 países.

Ele achou PC Farias - Em outubro de 1993, após sete meses de investigação descobriu o paradeiro do fugitivo da justiça Paulo César Farias em Londres, driblando até mesmo as buscas da polícia brasileira. PC Farias foi tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello nas eleições presidenciais brasileiras de 1989. Foi a personalidade chave que causou o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992.

Em 1995 produziu o documentário "Enigma das Alagoas" que apresentava a mais célebre entrevista com o presidente Fernando Collor de Mello depois do impeachment. A técnica utilizada para a entrevista repleta de perguntas cortantes (estilo marcante de Cabrini) e muitos dados, gerou reconhecimento de todos veículos de comunicação. O jornal Estado de São Paulo o escolheu como o melhor do jornalismo da TV neste ano, a revista Veja considerou esta a melhor reportagem do ano.

Iraque desvendado - Neste mesmo ano concluiu o documentário "Enigma das Mil e Uma Noites" após vários meses no Iraque, conseguindo provar a existência de soldados iraquianos que por se recusarem a servir seu exército tiveram suas orelhas cortadas pelo regime de Saddan Hussein, algo até então negado veementemente por Bagdá em uma entrevista exclusiva com o então vice-primeiro-ministro iraquiano Tarek Aziz.

Cabrini conseguiu penetrar no norte do país onde revelou as sequelas dos ataques com armas químicas na cidade curda de Halabja pelas forças de Saddan Hussein. A entrada na cidade tinha sido bloqueada aos jornalistas desde o ataque de 1988. Terminou o ano com uma grande entrevista com o lider palestino Yasser Arafat e ainda com os guerrilheiros preparados para o martírio, os homens-bomba recrutados para se explodirem contra alvos israelenses. Foi então também considerado pelo Jornal do Brasil como o melhor repórter em atividade da TV brasileira.

Grandes acontecimentos
Em 1996, foi o único jornalista da América Latina a cobrir a ascensão do grupo radical Taliban no Afeganistão, fortemente apoiado pela Al Qaeda, de Osama Bin Laden que se armou com a ajuda americana. Nessa cobertura, produziu o documentário "Em nome de Alá", vencedor do Prêmio Vladimir Herzog de direitos humanos (1996). Em setembro de 1997 após uma investigação de 5 meses localizou na Costa Rica na América Central, a fugitiva Jorgina de Freitas Fernandes, a maior fraudadora da história do INSS no Brasil. Ganhou com a reportagem o Prêmio Previdência Social de Jornalismo.

Ainda em 1998 elaborou a reportagem "A Verdadeira História do Vôo 254", contando em detalhes o que de fato aconteceu em um dos piores desastres da aviação brasileira. Esse era o caso do Boeing 737-200 da Varig, que se perdeu e acabou fazendo um dramático pouso forçado em plena floresta amazônica em setembro de 1989.

A reportagem garantiu a ele o VI Prêmio Líbero Badaró de jornalismo. Também foi Cabrini quem noticiou, ao vivo, pela TV Globo, o óbito do piloto Ayrton Senna, em maio de 1994. O jornalista cobria o GP de Fórmula 1 de Ímola, na Itália, e foi a Bologna acompanhar a sequência dos fatos, e permaneceu em plantão ao vivo para noticiar o acontecimento que parou o Brasil e emocionou o mundo.

Tráfico de pessoas e pedofilia - Também em 1998 denunciou um grande esquema de venda de crianças para países europeus no Sri Lanka na extremidade sul do subcontinente indiano, reportagem considerada pela Anistia Internacional uma das melhores já realizadas sobre o assunto em toda história. Desde 2001, como reconhecimento de sua carreria de repórter, passou a atuar também como âncora e editor-chefe de programas jornalistícos.

Já no ano de 2009, Cabrini retornou ao SBT, onde é o editor-chefe e apresentador do programa Conexão Reporter, vencedor do Prêmio Esso 2010 de Telejornalismo, além de ter provocado 3 CPIs com suas reportagens.

A matéria investigou casos antes ocultos de pedofilia dentro da igreja Católica em Arapiraca, Alagoas, e levou 3 sacerdotes incluindo um importante Monsenhor a julgamento, repercutiu em todo mundo e fez com que pela primeira vez o Vaticano reconhecesse a existência de casos de abusos sexuais dentro da igreja católica no Brasil.

Assinantes podem retirar convites para palestra a partir de 12h de hoje
A Tribuna reservou para assinantes parte dos convites da palestra de Roberto Cabrini. O número de convites é limitado e, para ter acesso a eles, será preciso fazer a retirada na sede do jornal, na rua Tiradentes, 1329-B, Centro, no balcão do Classifácil, a partir das 12h de hoje. É permitida a retirada de um convite por assinante, até que as unidades se esgotem.

Não há venda de convites e é preciso apresenta-lo na entrada do Teatro Estadual no dia da palestra.

Prêmios que Cabrini já ganhou durante a carreira

  • Melhor repórter da TV brasileira - Troféu Imprensa de 1993 - (Prêmio recebido em 94 - ano em que cobriu a morte de Ayrton Senna e descobriu o paradeiro do fugitivo Paulo César Farias)
  • Melhor programa jornalístico (entrevista com Fernando Collor de Mello e documentário no Iraque) - Prêmio APCA de 1995
  • Entrevista com Fernando Collor de Mello - apontada pela Revista Veja como a melhor matéria do ano de 1995
  • Foi considerado pelo Jornal do Brasil o melhor repórter da televisão Brasileira em 1995
  • Documentário "Em Nome de Alá", realizado no Afeganistão - ganhador do Vladmir Herzog, em 1996, na categoria TV (quando atuava pelo SBT - SP)
  • Reportagem "A verdadeira história do Vôo 254" - vencedor do VI Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo de 1998
  • Documentário "Em Nome de Alá" - vencedor do 14º Prêmio de Direitos Humanos de 1997
  • Documentário "Investigando a Fraudadora do INSS" - vencedor do 1º Prêmio Previdência Social de Jornalismo de 1998
  • 2009- Prêmio Tim Lopes - O chefe do tráfico
  • 2010 Prêmio Esso de telejornalismo "Sexo, Intrigas e Poder" (Investigando a Pedofilia na Igreja)

Emissoras nas quais Cabrini atuou e postos que ocupou:

  • Globo (Repórter e Correspondente Internacional)
  • SBT (Repórter Especial, Diretor de esportes e Correspondente Chefe do Escritório do SBT em Nova Iorque)
  • Band (Jornal da Noite, Brasil Urgente)(Editor-Chefe, Âncora e Repórter especial )
  • Record (Repórter Record)(Âncora e Repórter especial)
  • Retorno ao SBT(Conexão Reporter)(Editor-Chefe e Âncora)

Programação completa dos 120 anos da Tribuna

12/01, 20h (Teatro Estadual):
Palestra com o jornalista Roberto Cabrini (SBT)
Entrada com convite. Assinantes podem retirar na Tribuna, em número limitado, um por pessoa.

16/01, 10h (Calçadão):
Descerramento de placa comemorativa dos 120 anos, em busto já existente do fundador da Tribuna, Pedro Augusto do Carmo.
Aberto ao público

16/01. 20h (Câmara Municipal de Araras)
Sessão Solene do Legislativo em homenagem à Tribuna
Entrada gratuita, sem necessidade de convite

02/02, 20h (Centro Cultural Leny de Oliveira Zurita)
Palestra com o jornalista Raul Dias Filho (Record)
Entrada com convite, a ser distribuído pela Tribuna próximo à data

05/02, 20h (Praça Barão de Araras):
Concerto Orquestra Jazz Sinfônica de São João da Boa Vista
Aberto ao público

Fonte: Tribuna do Povo

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