Sendo assim, o "Jornal Nacional", mais do que nunca tornou-se padrão para as demais praças jornalísticas, com seu viés oficioso, 'imparcial' e compacto. Do lado de cá, o telespectador foi se tornando mero receptor de notícias transmitidas sem qualquer traço de opinião, debate ou repercussão.
Com o encolhimento da figura de Boris Casoy, um baluarte da polêmica e inegável referência quando o assunto é o jornalismo televisivo de opinião, e a restrição de qualquer traço de personalidade noticiosa a programas policiais, como "Brasil Urgente" e afins, a TV foi se tornando uma casa neutra, sem qualquer resquício de confronto de opiniões. Os jornalistas de tornaram apenas fontes ondem ecoam discursos de TP.
Eis que, em uma cartada ousada, Silvio Santos, sempre ele, tratou de trazer ao alçapão do "SBT Brasil" uma jornalista paraibana que vinha dando o que falar em uma emissora afilida ao canal do 'patrão'. Rachel Sheherazade, após um comentário controverso sobre a relação do brasileiro com o Carnaval, tornou-se popstar e, contratada por SS no primeiro semestre de 2011, tinha a função de levar sangue novo à bancada do principal telejornal da emissora, apresentando diariamente a atração ao lado de Joseval Peixoto.
Seja falando de cotas raciais ou a discriminação contra nordestinos, Rachel, desde então, nunca deixou de expressar sua opinião. E, voltando os olhos novamente para o lado de cá, o telespectador passou a enxergar na bela moça, novamente, vida no jornalismo. Veias pulsando. Opinião. Mente pensante. Concordar ou não com Rachel é outra etapa. O que se coloca em jogo com a presença da jornalista em nossas vidas a cada dia é a energia vital que o telejornalismo ainda é capaz de produzir, quando tudo parecia morno, monótono, insosso.
São os ecos de Rachel indo muito além do TP. Palmas para a coragem ainda existente na árida terra do jornalismo.
Por Pedro Willmersdorf
Fonte: Heloísa Tolipan (Jornal do Brasil)
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