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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Carlos Nascimento faz balanço de 2012 e torce pelo crescimento do SBT em 2013

Ninguém melhor do que um jornalista para comentar fatos importantes que marcaram o ano que chega ao fim nos próximos dias. Por isso, o site do SBT convidou Carlos Nascimento para dividir com os internautas notícias e fatos que fizeram história em 2012.

Quais foram as notícias mais difíceis de dar neste ano?
A quantidade de crimes bárbaros em todo o País. Famílias, crianças, idosos, homens, mulheres, pobres e ricos, das capitais e cidades do interior, foram vítimas de assassinatos, assaltos seguidos de morte e de crimes de trânsito quase todos os dias. É inaceitável que o Brasil permita esse tratamento aos seus cidadãos.

E as melhores?
Do ponto de vista do nosso futuro foi o julgamento do Mensalão. O Supremo Tribunal Federal cumpriu o seu papel e deixou claro que quando os Poderes querem a República funciona. A punição dos crimes do Mensalão, mais a lei da Ficha Limpa, dão-nos a esperança de que um dia poderemos ser um país em que os políticos respeitem a lei e as instituições.

Este ano, vimos mais uma vez a natureza mostrando seus sinais, como a tempestade Sandy. O que mais você destaca nesta área?
É evidente que o homem precisa rever as suas relações com a natureza. Não apenas por causa de furacões, mas principalmente pela seca e a chuva fora de hora, das mudanças do clima em várias regiões, do degelo no Ártico, do aumento do calor, a redução das nascentes, a poluição dos oceanos e rios e a diminuição das reservas de água na superfície. Sem contar o desmatamento da Amazônia, que apesar do Governo falar em fiscalização, continua num ritmo inadmissível.

O Brasil viveu um ano de eleições, quais as expectativas para os próximos quatro anos da política no Brasil?
A política brasileira precisa se modernizar. O fato de termos eleições de quatro em quatro anos é uma vitória diante de um passado recente de ditadura, mas não basta. Ainda temos níveis altos de corrupção, de mordomias, de contratação de protegidos e, principalmente, de candidatos eleitos para ajeitar a própria vida e a dos parentes e não para trabalhar pelo povo. O eleitor brasileiro precisa selecionar melhor os candidatos e entender que eleição não é concurso de calouros.

Qual notícia você gostaria de dar em 2013?
Que o País encontrou meios para reduzir a criminalidade e o cidadão brasileiro pode, finalmente, sair de casa quando quiser, em qualquer lugar, ir e vir sem correr o risco de ser assaltado e morto na rua.

Se fosse para escolher um fato deste ano que desse para mudar o desfecho, qual você mudaria?
A vida não é assim. Não podemos mudar o nosso País e o mundo por mágica. É preciso trabalho, muito trabalho.

Este ano, você, além do Jornal do SBT, apresentou "O Maior Brasileiro de Todos os Tempos". Como foi esta experiência?
Foi um senhor desafio que, com a ajuda de uma grande equipe, conseguimos vencer. Fazer um programa de auditório é bem diferente de um Telejornal e requer experiência, talento e poder de se comunicar com o público. Claro que eu não tenho nada disso, mas pelo menos agora sei o caminho. Para mim foi uma grande oportunidade.

O que você mais espera para o próximo ano?
Que o SBT continue crescendo em audiência, faturamento, prestígio e importância na televisão brasileira. Trabalhamos numa empresa dedicada ao entretenimento e à informação, feita por profissionais de primeira qualidade e que merecem o reconhecimento do público e dos anunciantes.

terça-feira, 17 de julho de 2012

SBT vem com tudo pra cima da Record

O SBT por sua vez, parecia estar fraco, sem vitaminas, sem reação… Morto! Assistiu de camarote a Record assumir o seu posto… Anos se passaram. Em 2011 o SBT comemorava 30 anos de vida no mês de agosto, uma grande festa na programação da emissora celebrava esses anos de vida… Um flash back relembrou programas marcantes e pessoas marcantes. Relembrou a voz famosa que se calou no dia 2 de dezembro de 2009.
Sendo sucinto, vamos direto ao assunto. Uma pequena entrevista exibida dentro do programa Silvio Santos, feita por Marília Gabriela, chamou a atenção. Uma profecia pronunciada por Daniela Beyruti pode estar acontecendo. A profecia é:
"Assim, uma coisa que a gente quer em curto prazo, é voltar à vice-liderança. Até agora a gente não engoliu não estar no nosso segundo lugar".
Veja o vídeo;

Está chegando o aniversário do SBT, e a profecia pode se cumprir, vai depender apenas da conduta das emissoras que vivem em constante guerra pelo segundo lugar. Do lado do SBT, a alegria e a força de vontade voltaram a aparecer. Podemos esperar as crianças se dando bem com atrações noturnas, do estilo de "Carrossel". Do lado da Record, o peso de uma derrota atrás de outra, está fazendo a direção apostar nas suas produções. As novelas podem ser a solução para o problema chamado SBT.

domingo, 24 de junho de 2012

Cartas e Cartazes nº 01: SBT - O Criador do break exclusivo (03/06/1984)

Hoje em dia, é muito comum nas emissoras a estratégia de destinar um break exclusivo para determinado produto, estratégia esta que traz grande visibilidade à empresa anunciante e também a ideia de que o programa onde está sendo veiculado esse anúncio é valorizado no mercado.

A partir disso, chegamos a esse anúncio do SBT em 03 de junho de 1984. Não é um anúncio comum. Nele, o SBT reivindica a criação do break exclusivo na TV brasileira, em janeiro daquele ano, uma vez que a Globo teria "copiado" a estratégia comercial em comunicado às agências de publicidade em maio de 1984. O SBT, claro, no seu histórico de sempre cutucar com classe a concorrência, disse em alto e bom som: "Rede Globo confirma SBT". Àquela época, isso representava muito, ainda mais com o SBT com menos de 3 anos de "vida".

Porém, o SBT expõe no anúncio que o break exclusivo seria muito mais vantajoso na emissora, sendo executado na linha de shows durante toda a semana, sempre na faixa das 20 ou 21 horas. As atrações que contavam com esse break exclusivo eram: Mulher é um Show, Show sem Limite, Programa Flávio Cavalcanti, TV Total, Novos Talentos e Show Riso. Já na Globo, à época, o break exclusivo era aberto apenas nas sessões de cinema de fim de noite e já de madrugada.

Outro destaque do anúncio são os dados do IBOPE demonstrando a alta proporção de público das classes C/D nos programas do SBT em detrimento à Rede Globo, como se pode perceber da tabela do anúncio. Embora a comparação se dê em horários diferentes e atração bem distintas, essa foi uma marca (e muito marginalizada) que o SBT teve de conviver durante vários anos, especialmente na década de 80.

Curiosamente, quem respondia pelo departamento comercial do SBT neste período (e, portanto podemos considerá-lo o criador intelectual do break exclusivo na TV brasileira) era um publicitário, Rubens Carvalho, que faleceu recentemente, em outubro de 2011. Em 1978, antes de ingressar na TVS/SBT, Rubens foi uma das primeiras vozes a levantar contra o monopólio do IBOPE na medição de audiência da TV brasileira, propondo à Associação Brasileira de Anunciantes a criação de um instituto de pesquisa. Depois, já no SBT, o publicitário continuou sua saga propondo mudanças e alternativas ao IBOPE. O fim, todos sabem. Tudo em vão.

Por fim, o slogan que o SBT adotava à época: "A comunicação do Brasil". A ideia era reforçar bastante a identificação popular com o "novo" canal que já se estabelecia firme na vice-liderança. Foi a partir desse slogan, em 1983, que a emissora passou investir em divulgação em massa de suas atrações em veículos da imprensa e, já ao debutar nas suas investidas de marketing, levou o Prêmio TOP Marketing 1983, conforme realça o anúncio. Em 1998, o SBT voltaria a usar o “Brasil” nas suas campanhas, dessa vez com a campanha "A Cara do Brasil" e o marcante slogan SBT é Brasil, é Sistema Brasileiro de Televisão.

Essa foi a estreia do Cartas e Cartazes, que promete voltar no sábado que vem, com mais um anúncio do SBT nesses 30 anos. Gostou?

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tom Cavalcante sobre SBT: "Pretendo voltar à TV, desde que dê tempo para assistir Carrossel"

om Cavalcante sobre SBT: "Pretendo voltar à TV, desde que dê tempo para assistir Carrossel"

Longe da TV desde que deixou a Record, no final de 2011, Tom Cavalcante ainda não tem destino certo. Pelo menos foi que o humorista contou. Em entrevista ao Terra, Tom esclareceu que não fechou nenhum contrato com nenhuma emissora e que sua ida para o SBT são "só rumores. Na verdade lá eu só uso produtos Jequiti", brincou.

O humorista é o próximo convidado do Tas Ao Vivo, programa de Marcelo Tas transmitido pelo Terra, que vai ao ar nesta terça-feira (8). Tom disse que está ansioso pelo encontro com o apresentador: "sou pouco afeito a entrevistas, mas vai ser um grande barato estar com Marcelo e sua grande massa de internautas". Abaixo, o humorista contou o que está fazendo atualmente e se já fechou contrato com alguma emissora.

Terra - Você é amigo do Marcelo Tas. O que espera de sua participação no programa?
Tom Cavalcanti - Eu espero que ele vá porque eu vou (risos). Sou pouco afeito a entrevistas, mas vai ser um grande barato estar com Marcelo e sua grande massa de internautas.

Terra - O que aconteceu para provocar sua saída da Record antes do fim do contrato?
Tom - Foram sete anos de intenso trabalho: atuar, dirigir, redigir, ensair, editar e ainda ter que viajar o País fazendo shows. A TC Produções Família pedia minhas férias. Atendi.

Terra - Há rumores de que você estaria prestes a fechar contrato com o SBT. Isso pode acontecer?
Tom - Só rumores. Na verdade eu só uso os produtos Jequeti.

Terra - Assim que foi divulgado que deixaria a Record, especulações apontavam que você voltaria para a TV Globo. Mas também saiu na mídia que você teria desafetos na emissora, o que impediria sua volta. O que tem de verdade nisso? Há chances de voltar à Globo?
Tom - Você viu que agitação? Fui contratado e descontratado. Até desafetos apareceram. No SBT pintou também que o Carlos Alberto de Nóbrega não me queria lá. Acho que vou para TV Senado imitar o Sarney. Tenho pretensões de voltar à TV sim, mas dentro de um programa que eu tenha tempo para assistir Carrossel.

Terra - O que está fazendo no momento e quais os planos profissionais?
Tom - Tenho aproveitado para fazer tudo aquilo que não tinha tempo. Dormir até a hora que eu quero, levar minha filha na escola, fazer sexo, assistir um montão de filmes e séries, ler bastante e correr na minha esteira visando a Copa do Mundo. Meus plano já estão em prática. Estou em turnê pelo Brasil com o show No Tom do Tom. Faço meus textos e coloco ideias de programas no meu banco de dados.

Ainda há algum formato de programa que você desejaria fazer?
Meu formato de programa chama-se humor. Um humor que faz a leitura dos nossos costumes com muita graça. Não tem segredo. Só preciso de uma boa logística para por isso na prática.

Fonte: Portal Terra

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tiago Abravanel à Istoé: "Eu não queria ser o Silvio Santos"

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Filho de Cintia Abravanel, primogênita de Silvio Santos, ele cresceu à sombra da figura do célebre avô, apresentador e dono do SBT. Desde o ano passado, é chamado de Tim Maia, uma consequência do sucesso do espetáculo “Tim Maia – Vale Tudo, o Musical”, em cartaz em São Paulo (depois de uma temporada de oito meses no Rio de Janeiro), no qual ele interpreta o controverso cantor morto em 1998, aos 55 anos. Sensível e apaixonado pela profissão, assim como Tim, o ator Tiago Abravanel, 24 anos, aguarda o dia em que será reconhecido pelo próprio nome. Não que ache ruim ser amparado por dois fenômenos de popularidade como Silvio e Tim. Ao contrário. Tiago, que estreou no teatro em 2004, está em estado de graça, divertindo-se com a sorte grande de poder ser clone de Tim Maia no teatro e neto de Silvio Santos na vida real.

Na entrevista a seguir, o ator que interpretará um turco na próxima novela das nove de Glória Perez, na Globo, ainda sem data de estreia, mostra quem é Tiago Abravanel.

ISTOÉ – Soube que o Silvio Santos ainda não viu o seu musical.

Tiago Abravanel – É verdade. Mas o encontrei no nascimento do Gabriel (o segundo neto de Silvio Santos), há duas semanas, e ele me falou que está feliz com o meu sucesso. E me disse que virá assistir. Meu avô é muito engraçado. Ele disse: “Eu vou lá assistir e ninguém vai saber, porque eu vou ao teatro disfarçado. Nem você vai me ver na plateia.” Tá bom, né? É só ele falar boa noite que acabou o disfarce! Eu amo o meu avô, é um cara fantástico. Apesar de velho, ele vive o presente e carrega a maturidade naturalmente, com despudor. É uma aula conhecê-lo. Mas deve ser difícil ser o Silvio Santos. Eu não queria ser o Silvio Santos, não.

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ISTOÉ – Como é a sua relação com o Silvio Santos?

Abravanel – Não tive muito convívio com o meu avô. Não tenho uma família de propaganda de margarina. Não tenho o costume de almoçar domingo em casa, com a família reunida. Se eu tivesse a oportunidade de ter meu avô mais presente, minha relação com ele poderia ser diferente. Talvez eu pudesse deitar em seu colo, chorar, ouvir histórias. Mas ele (Silvio) sempre trabalhou muito. Minha família não é de margarina porque o meu avô se propôs a ser parte de várias famílias de margarina pela tevê. Já viajei com ele quando criança, mas não temos essa proximidade. O meu contato familiar é muito mais com os avôs por parte de pai do que com o de mãe, o que não representa nenhum problema. Vivi uma situação ao lado dele que me fez entender que meu avô não era uma pessoa normal. Um dia, ele me chamou para ir ao McDonald’s. Você não tem noção do que foi o Silvio Santos no McDonald’s, surreal! Uma multidão em cima da gente dizendo que o amava. Foi difícil sair daquele lugar.

ISTOÉ – Gostou de ele ter deixado a tintura de lado e assumido os cabelos brancos?

Abravanel – Eu vejo o meu avô normal, sem maquiagem, de camisa aberta, chinelão, não pela televisão. Então, é engraçado porque ele está velho! 81 anos, né? Está avô. Não sei de qual jeito eu o prefiro. Mas acho que (assumir os cabelos brancos) é uma forma de encarar a realidade e mostrar às pessoas que mesmo na televisão a gente envelhece. E que ele não é de cera mesmo, porque já me perguntaram se o Silvio Santos era de cera!

ISTOÉ – A família Abravanel superprotegeu você?

Abravanel – Minha mãe foi cuidadosa no sentido de que eu aproveitasse a infância e não me tornasse um ator mirim. Ela viu, quando eu era pequeno, que iria seguir a vida artística. Mas, naquele momento, a arte seria melhor aproveitada como forma de me educar e desenvolver. Deveria estar a trabalho da minha infância, e não o contrário. Eu morava em uma casa com sete mulheres: mãe, três empregadas, duas irmãs e uma afilhada de meus pais. Hoje, moro com cinco, uma empregada e uma irmã saíram. Aos poucos, a minha família está percebendo que estou saindo do casulo, criando asas. Os oito meses que passei no Rio de Janeiro com o musical foram ótimos para mostrar que posso fazer as minhas coisas, pagar as minhas contas, enfim, vida de gente grande. Minha mãe entendeu que o meu quarto já está pequeno.

ISTOÉ – Que precauções toma para não sucumbir às tentações da vida artística?

Abravanel – A tentação da vida artística vai sempre estar presente e muitas vezes a gente cai nela. Agrados que as pessoas fazem para mim por achar que eu mereço, como, por exemplo, chegar ao restaurante e ser de pronto levado para a mesa, mesmo com uma fila imensa, me incomodam. Não sou intocável, não vivo no pedestal. O artista tem de ser igual para criar identificação com as pessoas. Mas é esquisito de um dia para o outro você sair na rua e as pessoas quererem tirar foto ao seu lado. Eu fui a Brasília e as pessoas sabiam quem eu era. E eu nem fiz uma novela das nove!

ISTOÉ – Interpretar o Tim Maia também ajuda nesse sentido.

Abravanel – O grande segredo do sucesso do espetáculo é a falta que as pessoas sentem do Tim. Obviamente eu não recebo o Tim Maia no palco (risos), mas as pessoas comentam que parece que eu o incorporo. Tudo o que eu faço em cena é absolutamente consciente e calculado, cada olhar, cada movimento, cada respiração. Mas ouço as pessoas dizerem: “Baixou o Tim Maia nele.” Antes de eu ser o Tim Maia no teatro, ninguém me achava parecido com ele; agora o tempo inteiro gritam o seu nome para mim. Não sou negro nem tijucano. Mas olho no espelho e às vezes tomo um susto. Brinco que antes eu era o neto do Silvio Santos, hoje sou o Tim Maia, mas quando vou ser o Tiago, ter personalidade própria?

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ISTOÉ – Teve de ganhar peso para viver o Tim?

Abravanel – Não. Nasci gordo, fiz todas as dietas do mundo, emagreci, engordei. Pior do que o preconceito externo, não existe coisa pior do que o autobullying. O fato de a gente não se aceitar como é, fisicamente falando no meu caso, prejudica o nosso desenvolvimento. O Tim era a bipolaridade em pessoa: o gordo autêntico e divertido que todos amavam e, ao mesmo tempo, o mais escroto e depressivo que mandava todos para a p.q.p. Graças a Deus, tive a oportunidade de fazer terapia. Eu me boicotava no sentido de acreditar que não fosse capaz de realizar coisas.

ISTOÉ – Tem algo que gostaria de ter feito e ainda não conseguiu por conta do peso?

Abravanel – Tenho um sonho que até hoje não realizei – e essa minha forma física foi o que mais me prejudicou – que é ser bailarino. Desde pequeno. Quando canto, sou feliz; quando atuo, idem; mas, quando danço, é a plenitude. Quando eu era pequeno, minha mãe me perdeu em uma loja de produtos de dança e me encontrou de olhos vidrados na frente de uma televisão assistindo ao (Mikhail) Baryshnikov (bailarino nascido na Letônia e naturalizado norte-americano) dançar. Aí, eu disse a ela: “Mãe, eu não sabia que homem podia dançar.” Eu tinha 4 ou 5 anos. Aí, ela respondeu: “Mas quem disse que homem não pode dançar?” Então, eu falei que queria ser bailarino. Só que, no aniversário seguinte, ganhei uma luva de boxe do meu pai (risos) e não virei bailarino.

ISTOÉ – Há quanto tempo faz terapia? Foi o peso que o levou ao terapeuta?

Abravanel – Desde criança, a partir dos 10 anos, eu creio. Não foi por causa do peso. É a primeira vez que conto isso publicamente: eu sou disléxico. Sempre tive problema com leitura, de ler em voz alta. Sempre tive medo, ainda tenho esse problema, claro, menor do que antes. E é muito louco porque sou ator! Eu não consigo ler para outra pessoa em voz alta. Na escola, não conseguia entender a ordem das palavras, gaguejava... Porque eu travo. Está escrito banana e eu leio maçã.

ISTOÉ – Parou de fazer terapia?

Abravanel – Fiz terapia por dez anos. Parei um tempo e há dois anos faço cinesioterapia (reabilitação funcional por meio da realização de movimentos corporais). A terapia serve para a gente se olhar no espelho, reconhecer a casa, saber onde estão as sujeiras, quais devem ser jogadas fora e guardadas para o resto da vida. O maior aprendizado que ela me deu foi poder identificar coisas dentro de mim. Talvez por isso eu pude ser verdadeiro para as pessoas, me tornar um homem e encarar a vida mesmo com as crises.

ISTOÉ – Quando se olha no espelho, como se vê?

Abravanel – Depende do estado de espírito. Tem dia que olho e penso: “Que porra é essa?” Mas tem dias que falo: “Você é incrível, uma delícia.” Já tive muitas crises com meu corpo, mas hoje vejo que posso ser incrível, que sou uma delícia mesmo gordo.

ISTOÉ – Viver o Tim Maia o tornou mais atraente?

Abravanel – O Tim Maia tinha o poder da conquista pelo timbre da voz, que era muito sedutora, apesar de ele não acreditar nisso. Talvez ter essa sensibilidade e o domínio por meio da voz me tornou uma pessoa mais atraente. Já vi, várias vezes, gente da plateia olhando para mim de maneira diferente. O cantor de massa se torna apaixonante, admirável e é por meio disso que se conquista pessoas que vão segui-lo para o resto da vida, consumir a sua arte, o seu trabalho. Esse trabalho me proporcionou esse jogo de sedução, de conquista.

ISTOÉ – Mas há pessoas que, após o musical, se apaixonam por você e não pelo Tim Maia?

Abravanel – Isso rola, com todas as idades. As velhinhas apertam a minha bunda. Pessoas me procuram no Facebook se dizendo apaixonadas. Mas ainda ninguém me colocou na parede de jeito... estou superaberto a isso! Eu não valho um real! Sou um gordo bem safado. Se a pessoa me der bola, eu vou lá e faço o gol. Não tenho frescura. Estou solteiro há dois anos, mas sou para casar.

ISTOÉ – Sobre os bauretes, expressão usada pelo Tim Maia ao se referir à maconha, você já experimentou?

Abravanel – Já fumei maconha. Agora, não tenho mais o costume de fumar, não me faz bem. Mas não sou contra quem fuma. Penso que tudo em excesso não faz bem, até o amor, amar de mais não faz bem. Eu fumei cigarro por dez anos, desde os 14. Era um maço por dia. Faz seis meses que parei. Louco, né? Parei lá no Rio de Janeiro. No fim de uma noite, quando fui jantar, vi que havia fumado apenas um cigarro naquele dia. E percebi que não precisava daquela merda. Mas não podia descontar a ausência do cigarro na comida, senão iria me matar. Aí, substituí o cigarro por uma garrafa de dois litros de água, que passei a levar para todo lugar. É muito triste assumir que cresci com uma dependência. Mas eu cresci.

Fonte: Istoé

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Retratos da Crise I: Portugal


A cidade de Lisboa continua linda, mas longe dos olhos dos turistas é uma cidade tensa e preocupada. Há bastante gente dormindo na rua, pedindo, ou fazendo de tudo para economizar.

A taxa de desemprego de Portugal já chega a 13,2%. Número quase 3 vezes maior que no Brasil.

Para conseguir dinheiro, o governo aumentou os impostos e quase tudo ficou mais caro em Portugal, inclusive o cafezinho que os portugueses tanto gostam. As refeições também ficaram mais caras e a primeira consequência disso foi a diminuição do público de restaurantes e lanchonetes.

sábado, 8 de outubro de 2011

UOL: Celso fala sobre a carreira e SBT e rejeita "contrato em sociedade"

Considerado o substituto de Silvio Santos, o apresentador do "Domingo Legal", Celso Portiolli, nega relatos publicados recentemente de que se tornará sócio de Silvio Santos."Não existe essa possibilidade, eles [SBT] não falaram nada sobre isso e nem vão falar. O ‘Domingo Legal’ é um programa diferenciado com altos custos. Essa regra de 50 a 50 funciona só para alguns. Contrato de sociedade não é rentável, seria uma desvantagem para mim", diz referindo-se a forma de contratação dos apresentadores Ratinho e Raul Gil.

Em entrevista ao UOL Televisão, o apresentador conta que em 17 anos de SBT sua carreira teve altos e baixos, o que o levou para terapia. "Não existe nenhum um animador que tenha passado pelo o que eu passei. Vivi em uma montanha russa na minha carreira, quando estava bem no ar, no auge, o programa saía sem nenhuma explicação e tudo sumia das minhas mãos. Foi aí que comecei a exercitar minha paciência e sofrer calado. Fiz duas sessões de terapia e depois de ficar muito triste, vi que não posso sofrer pelas atitudes dos outros."

Com contrato vencendo em novembro, Portiolli conta que os responsáveis já começaram a negociar sua permanência na rede televisiva. "As partes já estão conversando, mas ainda não falaram comigo." Questionado se recebeu proposta de trabalho de outras emissoras ou se trocaria o SBT, ele não quis dizer se sim ou se não, mas afirmou: "Preciso trabalhar."

Aos 44 anos, dono de duas emissoras de rádio, pai de três filhos, casada com a mesma mulher há 20 anos, Portiolli ingressou em três cursos universitários – comunicação, administração e engenharia --, mas por conta do sonho de ser radialista e apresentador de TV não conseguiu concluir nenhuma faculdade. "Era convidado para apresentar programas de rádio em outras cidades e ia, não importava se estava estudando ou não. Tinha o objetivo de chegar a São Paulo antes dos 21 anos e trabalhar em uma grande emissora. A grande paixão na minha vida sempre foi o microfone, mais do que a TV." Leia abaixo a entrevista completa com o apresentador.

UOL - Como é apresentar o "Domingo Legal", após ter ficado sem programa na televisão durante dois anos?
Celso Portiolli - Veio na hora certa, justamente quando eu decidi dar uma guinada na minha carreira e queria trabalhar. O público estava cobrando. Tanto é que no primeiro dia eu não senti medo nenhum na hora de apresentar o "Domingo Legal", pois havia muita gente na torcida, desde o cara da portaria até a vice-presidência do SBT. Deus escreve certo por linhas tortas.

UOL - Você gostaria de experimentar um novo formato de programa?
Celso Portiolli -Eu já fiz tanta coisa na televisão. Estou muito feliz agora, gostaria de manter essa fase. O “Domingo Legal” é um programa de variedades, dá para misturar reality show, game, é uma colcha de retalhos. Eu consigo fazer tudo o que gosto na TV com o programa que tenho neste momento. Quero trabalhar até 2024 na TV, quando completo 30 anos de carreira, e depois colocar alguém em meu lugar, mas não sei... Todo mundo aposta comigo que não vou parar.

UOL - Como você avalia sua trajetória?
Celso Portiolli - Com 20 anos de idade eu já estava em São Paulo e resolvi voltar para o Paraná para cuidar do meu pai, que estava muito doente e recomecei minha carreira. Quando retornei a São Paulo já era vereador, tinha loja, promovia shows, dirigia duas emissoras de rádio, estava pronto para casar e morar no interior. Joguei tudo para cima pelo sonho de ser apresentador de televisão. Trocar o certo pelo incerto mostrou que eu era extremamente determinado. Depois da minha determinação, o que mais me marcou foi a minha perseverança. Não existe nenhum um animador que tenha passado pelo o que eu passei. Vivi em uma montanha russa na minha carreira, quando estava bem no ar, no auge, o programa saía sem nenhuma explicação e tudo sumia das minhas mãos. Foi aí que comecei a exercitar minha paciência e sofrer calado. Fiz duas sessões de terapia e depois de ficar muito triste, vi que não posso sofrer pelas atitudes dos outros. A única vez que eu reclamei foi quando vi minha família sofrendo. Hoje eu dou muito valor para tudo o que eu tenho, pois não foi fácil, nada veio de "mão beijada". Sempre com muita luta, perseverança e sofrimento.


UOL - Qual sua relação com o Silvio Santos?
Celso Portiolli - Ele manda e eu obedeço [risos]. Ele é muito tranquilo, hoje minha relação com ele é muito boa. O SBT é a melhor emissora para trabalhar, é um ambiente familiar onde todos se conhecem, se gostam e se ajudam. Eu vejo o Silvio [Santos] a cada três anos. Ele é muito gentil.

UOL - Como você vê o SBT no cenário televisivo brasileiro atual?
Celso Portiolli - O SBT está passando por uma fase muito bacana, acabaram com o problema de instabilidade na grade de programação, que os telespectadores reclamavam. Isso fez com que as pessoas retomassem a acompanhar a emissora, isso é importante.

UOL - Quais as grandes apostas do SBT, em sua opinião? Você se considera uma aposta?
Celso Portiolli - O SBT é um celeiro de talentos, sempre deu oportunidades para todos. A Patrícia [Abravanel] tem surpreendido a todos. Eu sempre fui uma grande aposta do SBT. Ninguém investe 15 anos em um profissional para não colher frutos.

UOL - Por muito tempo algumas pessoas te rotularam como "substituto", como você lidava com isso?
Celso Portiolli -Os comentários não incomodaram, mas sim a forma excessiva de como a mídia usou isso. Saía uma foto minha e a legenda era "substituto do Silvio Santos caminha". Mudaram o meu nome e isso é chato. Essa história de substituição é inviável. O investimento que o SBT fez em mim é para que eu possa fazer um bom trabalho na emissora em qualquer dia e qualquer horário.

UOL - Você mudou sua maneira de apresentar e o jeito de se vestir para se desvencilhar do “título” de imitador do Silvio Santos?
Celso Portiolli -Quando eu apresentava o programa "Namoro na TV", usava roupa esporte e ele [Silvio Santos] pediu para eu usar uma roupa mais séria. Como o "Domingo Legal" é um programa forte em merchandising uma roupa social passa mais credibilidade, mas como o programa começa às 10h, não estava dando certo a imagem com paletó. Isso começou a me incomodar e resolvi usar uma roupa mais solta. Fiquei mais à vontade, a apresentação ficou mais solta, a roupa às vezes engessa. Pelo o que vi no Twitter as pessoas estão gostando.

UOL - Você acha que o Silvio te trata de maneira diferenciada, em relação aos outros apresentadores? Por quê?
Celso Portiolli - Não. O Silvio [Santos] trata todos os artistas de maneira igual. As pessoas acham isso porque ele me deu uma oportunidade, mas isso não tem nada a ver...

UOL - Seu contrato será por tempo indeterminado, como tem acontecido com a maioria dos apresentadores da emissora?
Celso Portiolli - Não. Eles não oferecem 50 a 50 e eu não aceito contrato por tempo indeterminado, porque no primeiro arranca-rabo eu saio fora [risos]. Contrato de sociedade não é rentável, seria uma desvantagem para mim. Eu já tive todos os tipos de contratos com o SBT, renovei muitos com eles já.

UOL - O diretor Dirlan Jorge, que trabalhava com você, foi afastado do SBT e agora trabalha com Gugu (após uma auditoria constatar irregularidades no quadro "Construindo um Sonho"). Vocês ainda mantêm contato?
Celso Portiolli - O Dirlan pediu a auditoria, indicou fatos para investigarem e foi injustiçado. Eu não me meto em conta de programa, dinheiro, quanto gasta ou não. Fiquei chateado com as notícias que envolveram o nome dele [Dirlan] injustamente. Ele é meu amigo, isso foi muito chato.

UOL - Como é o Celso empresário? Você é dono de quantas emissoras de rádio?
Celso Portiolli - Entrada e saída. Tenho uma empresa que presta serviço para o SBT, na área de apresentação e, por enquanto, só duas rádios (ótima FM, no interior de São Paulo), pretendo ter quatro.

UOL - Quem é seu ídolo na TV. Por quê?
Celso Portiolli - O Silvio [Santos], pois é o profissional mais dedicado que eu conheço. Ninguém assiste as suas próprias gravações com tantos anos de carreira. Até hoje ele assiste e se corrige.

UOL - Você foi vereador com 24 anos em Maringá, como surgiu seu interesse pela carreira política?
Celso Portiolli - Fiquei famoso na cidade [Ponta Porã, Mato Grosso do Sul], era querido, fui convidado para me candidatar e fui o mais votado. Isso serviu para mostrar que eu não devo ser candidato nos próximos 13 anos. Era muito novo. Não tenho vontade e nem pretensão com a carreira política.

UOL - Como você vê o Brasil no cenário político atual?
Celso Portiolli - O país está bem. A população tem elogiado a Dilma e a postura que ela tem adotado com as trocas de ministros. O Brasil tem muito mudar ainda, principalmente alguns políticos, que não fazem nada.

Fonte: Portal UOL

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Alberto Villas: "Faço trabalho de guerrilha no jornalismo do SBT"

Mineiro de Belo Horizonte, o jornalista e escritor Alberto Villas foi para a Paris em 1973 e formou-se no Institut Français de Presse. Retornou ao Brasil em 1980, para trabalhar na editoria internacional do Estadão e também foi responsável pela reformulação do Caderno 2. Teve seu primeiro contato com a televisão montando o "Jornal de Vanguarda" na Band; passou pelo SBT, nos tempos de "Aqui Agora", e foi para a Globo. Após ter trabalhado nos principais jornais da emissora carioca, dirigiu o "Fantástico", onde permaneceu por 12 anos até aceitar o convite do SBT, para comandar o jornalismo, em abril deste ano.

Muito apegado ao texto impresso, ele destaca que tinha preconceito com a televisão. "Quando eu trabalhava em jornal, nunca passou pela minha cabeça estar na televisão; eu era contra a TV". Anos depois, o jornalista diz ter caído na real e percebido que os jornais impressos já iam para as bancas, com notícias velhas. Em entrevista à IMPRENSA, de sua sala na sede da emissora, Villas fala sobre o desafio que assumiu ao aceitar o convite, compara as estruturas do SBT com a Globo e deixa claro que sua atual emissora estimula a criatividade e o trabalho.

IMPRENSA - Pode falar um pouco dos seus primeiros meses no SBT?
Alberto Villas - Eu sempre brinco que, aqui no SBT, nós somos guerrilheiros; lá na Globo, eu me sentia um mariner americano, com todo aparato e estrutura disponível. Aqui é uma guerrilha, não pelo fato de não termos condições, mas é que a Globo está há décadas no ar e tem uma baita estrutura. Lá eu me sentia muito confortável, já aqui, para ser guerrilheiro, tem que ser criativo, caso o contrário, você sempre vai fazer uma coisa mais pobre.

IMPRENSA - Por qual motivo você decidiu deixar o conforto que tinha na Globo?
Villas - Quando eu fui chamado para assumir a direção de jornalismo do SBT vivia duas situações: estava muito confortável, como já disse, e poderia ficar lá mais cinco anos e me aposentar. Aceitei porque percebi que tinha, nas mãos, um novo desafio que me motivou profissionalmente.

IMPRENSA - Qual era esse desafio?
Villas - O jornalismo do SBT é bom, só que ele andou meio esquecido. Por outro lado, a Record avançou e investiu muito no jornalismo. Hoje, a pessoa quer ver uma notícia e diz 'liga aí na Globo ou na Record para ver'. Meu objetivo é fazer com que o brasileiro inclua o SBT nessa frase. O problema do Brasil é que o povo é muito conservador. Você tem um leitor de Veja que ainda não sabe que existe uma revista chamada Época, não por que não gosta, mas porque está acostumado e não quer mudar. Quero chegar a um ponto em que as pessoas saibam quem são os apresentadores dos nossos telejornais, que possam chamar pelo nome.

IMPRENSA - Como fazer isso em um momento que o telejornalismo está pasteurizado?
Villas - Concorremos com quatro telejornais em horários parecidos: Gazeta, Band, Record e, depois, Cultura e RedeTV!. Eu vim determinado a fazer um jornal que ultrapasse só a cobertura de fatos do dia e busque formas diferente de dar a notícia. Claro, não posso fugir do factual, mas podemos dar de forma mais inteligente e criativa.

IMPRENSA - E qual tem sido a receita para fazer algo diferente?
Villas - No dia mundial sem carro, nossa repórter saiu com um automóvel e foi oferecer carona para as pessoas. Percebemos que, ao invés de fazer uma matéria normal e clichê, poderíamos fazer algo diferenciado. Quando a Dilma fez um discurso sobre a classe C, trouxemos representantes de vários perfis desta classe para nossos estúdios, com o objetivo de comentar o discurso da presidente e se eles concordavam ou discordavam.

IMPRENSA - Você já conseguiu tirar a formalidade da bancada?
Villas - Precisamos melhorar muito. As pessoas querem algo diferente, um apresentador que fique mais tranquilo...

IMPRENSA - Que tipo de cuidado deve ser tomado nesse processo de tirar a formalidade?
Villas - O excesso é prejudicial, fica aquela coisa um pouco caseira... Deve haver equilíbrio e uma dose certa para a pessoa perceber que a informação está ali e que o apresentador está mais a vontade. Estamos tentando fazer um jornal bem coloquial.

IMPRENSA - Como o jornalismo do SBT se beneficia com o crescimento da classe C?
Villas - Eu participei na Globo de várias palestras sobre a explosão da classe C e o SBT sempre teve a cara dessa classe C. Aqui, na emissora, eu tenho um laboratório fantástico porque quando vou até a praça de alimentação vejo são as pessoas que vêm assistir esses programas e vemos que elas estão melhorando de vida. Temos aqui dentro um grande laboratório. Hoje, nós fazemos um exercício, que é enviar, semanalmente, uma pessoa da nossa redação para qualquer bairro de São Paulo e ver o que está acontecendo na cidade. Numa dessas oportunidades, a produtora descobriu uma lavanderia comunitária. Isso enriquece muito o jornalismo.

IMPRENSA - Percebo que o jornalismo das praças regionais do SBT é forte. Como elas estão contribuindo para a rede?
Villas - Estamos, a cada dia, tentando uma comunicação maior com as praças. Muitas vezes sofremos com aquele pensamento de que 'não vou mandar matéria porque eles não darão nunca', mas estamos nos comunicando, para mostrar para essas praças que elas podem fazer matérias que saiam do lugar comum. Brasília não faz só política, mas ela pode fazer uma matéria sobre bulas de remédios, por exemplo. Estamos estimulando as afiliadas para que façam isso.

Fonte: Portal Imprensa

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Reportagem Especial : Solange Boulos

A jovem repórter Solange Boulos está há pouco tempo no SBT, mas o suficiente para já ser uma das principais nas coberturas em São Paulo, especialmente do Jornal do SBT. Após uma passagem por afiliadas da Rede Globo e vários anos na Rede Record, Solange estreou no SBT em março de 2009, na revista Olha Você e desde então segue firme nas coberturas do jornalismo da emissora. Na entrevista, Solange Boulos revela detalhes da carreira, comenta o elogio do colunista Flávio Ricco a sua matéria sobre a Inconfidência Mineira e explica o que de fato aconteceu no episódio polêmico da despedida de Ronaldo Fenômeno, em que teria sido barrada na cobertura. Torcedora do São Paulo, Solange se revela apaixonada por esportes. Quer saber mais? Veja a entrevista na íntegra:

Blog do Teó: Como começou seu interesse pelo Jornalismo e quando iniciou na TV?
Solange Boulos: Ainda na adolescência, era apaixonada por esportes, fanática pelo São Paulo Futebol Clube. Meu primo é o ex-técnico de vôlei Ricardo Navajas, e com ele frequentava todas as partidas, via o trabalho de cobertura dos repórteres. Decidi, então, que seria repórter esportiva, como de fato começou a minha carreira na TV, em 2001. Trabalhei com Milton Neves no Debate Bola e Terceiro Tempo, pela Rede Record.

Blog do Teó: Você fez parte das equipes do Hoje em Dia, na Record e depois veio para o SBT para ser repórter do Olha Você. Trabalhar em revistas eletrônicas é algo que te atrai?
Solange Boulos: É bom ampliar o leque, conhecer outras linguagens, fazer outros tipos de assuntos. É importante para a formação do jornalista. Mas confesso que fiquei com saudade do hard news, da adrenalina de estar onde as coisas acontecem.



Blog do Teó:Que perfil precisa ter um profissional para se destacar em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e conseguir oportunidades em grandes empresas como o SBT?
Solange Boulos: Ágil, curioso e versátil. A objetividade é fundamental para direcionar a sua reportagem na rua e priorizar o que é relevante, afinal, como dizia um ex-chefe meu, matéria boa é matéria que vai ao ar, e pra isso ela tem que chegar a tempo do jornal. A curiosidade é o que instiga o jornalista a fuçar, a duvidar, a ir além da história que todos já sabem. É quando normalmente se conseguem os melhores detalhes, o diferencial. Na briga pela audiência das grandes emissoras, esse diferencial é questão de sobrevivência. A versatilidade é inerente à profissão, para isso, é importantíssimo estar sempre bem informada para conduzir bem a matéria seja qual for o assunto. Nunca sabemos qual será a pauta do dia: se faremos o clássico do futebol, a crise financeira ou os escândalos dos ministérios, se explicaremos sobre uma nova descoberta da medicina... é isso que fascina no jornalismo: falar sobre tudo, todos os dias.


Blog do Teó: Você acha que a TV criou um estereótipo de repórter com o padrão de beleza das modelos: magra, bonita e cabelos lisos?
Solange Boulos: Não sejamos hipócritas em dizer que uma boa aparência física não é importante quando falamos em vídeo. Mas uma boa apresentação, não necessariamente este ou aquele tipo de cabelo. O sobrepeso de fato pode ser um problema, isso porque o vídeo engorda. Mas não é determinante para uma carreira bem sucedida.

Blog do Teó: Você já produziu reportagem para o quadro “A grande Ideia”, no Jornal do SBT – Noite, que retrata casos de pessoas que se derem bem financeiramente com criatividade e persistência. Como você avalia a importância desse tipo de atração para o telespectador?
Solange Boulos: Nosso trabalho é produzir reportagens que aproximem o telespectador, que fale de assuntos com os quais ele se identifique. Quem não deseja ter sucesso na carreira, realizar sonhos e prosperar financeiramente? O Big Idea mostra como muitas pessoas conseguiram isso. E o telespectador se enxerga nessas histórias.

Blog do Teó: Você trabalhou com a Simone Queiroz e a Cláudia Ramos no Olha Você e agora elas também estão no Departamento de Jornalismo da emissora, como repórteres, a primeira em São Paulo e a segunda no Rio. É possível criar laços de amizade entre profissionais do jornalismo, mesmo com a correria do dia-a-dia?
Solange Boulos: Absolutamente!! Já fiz ótimos amigos no jornalismo, em vários véiculos. Inclusive a Simone e a Cláudia. Hoje tenho mais contato com a Simone por ela estar comigo em São Paulo. Em grandes coberturas, sempre encontramos boa parte desses colegas, trocamos figurinhas, inclusive sobre mercado de trabalho. Algumas ex-colegas frequentam minha casa, como a Helayne Cortez, por exemplo. Passou aqui pelo SBT e hoje está no Hoje em Dia, na Record, trabalhando com outras amigas e ex-colegas também: Rosana Cardim, Samara Bastos... a Karina Pachiega, hoje na Globo SP, também é amiga pessoal. Trabalhamos juntas numa afiliada da Globo há seis, sete anos.

Blog do Teó: Recentemente, o colunista de TV, Flávio Ricco, classificou sua matéria no Jornal do SBT, a respeito da Inconfidência Mineira, como “muito bem produzida e finalizada, deixando todos com vontade de ver de novo”. O que você pode destacar dessa reportagem?
Solange Boulos: Esta matéria é um exemplo típico do que falei sobre buscar um diferencial. Enquanto todos mostram a história da Inconfidência que está nos livros, nós fizemos com base no depoimento de um historiador que contesta essa versão. Mostramos o lado polêmico, questionamos, buscamos mostrar o que serviu de fundamento para essa versão do historiador. Foi aquela produção para fazer com que o telespectador, ao final, se pergunte: será?? A produção da redação e a edição também foram brilhantes, o que também é fundamental em televisão: trabalho de equipe.

Blog do Teó: Em junho deste ano foi noticiado que você, um produtor, um câmera e seu assistente foram impedidos de cobrir a despedida de Ronaldo Fenômeno. Qual foi a sua reação naquele momento e o que acha da questão da exclusividade nas coberturas do futebol?
Solange Boulos: Gostaria de esclarecer o que de fato ocorreu nesse dia, porque muitos veículos noticiaram isso de maneira incorreta e distorcida. Tivemos, sim, problemas com a coordenação da CBF, que nos repreendeu verbalmente por termos feito imagens do Ronaldo quando ele chegava ao estádio. Fomos ameaçados de não poder cobrir a coletiva pós jogo, em que seria anunciada a escalação para a Copa América. Mas foi só. Essa negociação aconteceu na sala onde estava toda a imprensa. Não fomos isolados, como foi divulgado, não perdemos o acesso ao gramado (porque isso quem tinha era só a Globo mesmo), não tinha nem produtor comigo. Quanto à exclusividade, acho um monopólio em que quem perde é o telespectador, privado do direito de escolher onde quer assistir ao esporte mais popular do país.

Blog do Teó: Atualmente, o SBT Brasil segue uma linha mais leve, com matérias de comportamento e entretenimento. Quais são os desafios de fazer uma reportagem de forma atrativa e dinâmica para o telespectador?
Solange Boulos: É um exercício diário de criatividade. Alguns assuntos permitem e até induzem ao bom humor, mas outros exigem bom senso, afinal, ainda fazemos um produto jornalístico. O segredo é saber enxergar quais aspectos daquela pauta podem ganhar desdobramentos divertidos, que rendam boas imagens ou que remetam à personagens e histórias conhecidas e queridas do grande público. Mas com conteúdo. Como você disse, são desafios.

Blog do Teó: E para o futuro, o que você ainda deseja dessa profissão?
Solange Boulos: Apaixonada por esportes como sou, quero cobrir a Copa do Mundo e as Olimpíadas que vêm por aí.

Solange Boulos por Solange Boulos:
  • A primeira matéria na TV: Sobre um jogo do Corinthians (fazer o que?) no Pacaembu, pela Record.
  • A primeira matéria para o SBT: Xii, não lembro!
  • Uma matéria inesquecível: Sobre prostituição. Acompanhei a rotina das garotas nas ruas, e também nas casas de luxo, me fazendo passar por uma delas, com câmera escondida e tudo.
  • Uma notícia que não gostaria de ter dado: Infelizmente são várias... mas uma reportagem que me marcou de forma negativa foi sobre abuso infantil. Nunca vou esquecer dos depoimentos que ouvi de crianças, bem pequenas, sobre as torturas e a violência que sofreram, muitas, dos próprios pais.
  • Um(a) jornalista que te inspira: Pedro Bassan. Que texto incrível!
  • Um sonho jornalístico: Cobrir o que queremos e achamos correto. Não o que, às vezes, "devemos" cobrir.
  • O que te irrita como jornalista: Os aventureiros na profissão.
  • O que te motiva como jornalista: Denunciar e fazer valer o direito à informação.
  • Defina a repórter Solange Boulos: Essa eu deixo pra vocês! Beijos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

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