Mineiro de Ituiutaba, 75 anos, ele não se limita a cantar. É humorista, compositor, ator, apresentador. Aliás, em sua primeira experiência no cinema já se deu bem, levando o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, no Festival de Paulínia, por sua atuação em O Palhaço, direção de Selton Mello. Mas esse é um assunto para mais adiante.
O cantor diz que o teor dos shows são as músicas de seus 40 e poucos discos de ouro. "Então, canto umas 25 canções e faço humor que é circunstancial. Sempre fiz esse mix de música e humor".
Foi assim, aliás, que a carreira dele decolou: cantando e fazendo rir. Seu primeiro trabalho no humor foi o Mendigo, da Praça da Alegria, nos anos 60, sob o comando de Manoel da Nóbrega, na TV Rio. Paralelamente, a carreira de cantor ia de vento em popa, estourando com a marchinha Me Dá Um Dinheiro Aí, a partir de O Mendigo, e tantos outros sucessos que vieram, como Querida, Eu Te Darei Bem Mais, Eu Nunca Mais Vou Te Esquecer, Dia de Formatura, Viva a Rosa...
Moacyr também comandou, no início dos anos 60,o Moacyr Franco Show na extinta TV Excelsior, um programa que atingiu mais de 80% de audiência e no qual cantava, dançava, atuava e representava.
Ele seguia o modelo dos astros americanos que faziam seus shows com música, humor e dança. "Hoje é o mesmo, entre uma música e outra faço uma brincadeira e conto histórias engraçadas".
Poucos personagens
Ao longo da carreira, ele deu vida a poucos tipos, mas tem uma explicação lógica. "Meus personagens duram muito. O Jeca Gay (de A Praça é Nossa, no SBT), era para um mês e está no ar há dez anos. O Mendigo fiz durante 20 anos, era um sujeito louco que saltava, pulava e falava tudo rimado. Hoje eu não tenho condições físicas para isso e nem tempo para escrever com tanto esmero quanto antigamente".
Apesar de gostar de escrever, ele deixa claro que o criador do Mendigo foi Aloísio Silva Araújo. "Ele era um gênio. De um tempo para cá, fui obrigado a escrever, mas me dei bem. É um dos dotes que tenho, acho que faço bem".
Serviço – O show de Moacyr Franco é apresentado amanhã, às 21 horas, no Teatro Coliseu, com ingressos de R$ 50,00 a R$ 70,00. Podem ser comprados na bilheteria do teatro, Rua Amador Bueno, 237, Centro, Santos, ou na Renaul Estoril, Washington Luiz, 21, Santos, tel. 3229-1800. Descontos de 50% para pessoas acima de 65 anos, professores da rede pública e estudantes com carteirinha.
Atuação em O Palhaço abriu portas
Ele canta bem, faz humor, escreve e é também um excelente apresentador. Teve vários programas na tevê, como Moacyr Franco Show, na extinta TV Excelsior, nos anos 60, Moacyr TV, na Rede Globo, Pequenos Brilhantes, A Mulher É um Show, Meu Cunhado, Ô... Coitado!, no SBT, e recentemente provou que se dá bem também na telona.
No único filme em que atuou, O Palhaço, de Selton Mello, Moacyr ganhou um prêmio."Até estranhei, porque minha cena dura só três minutos e ganhei de todo mundo".
Realmente, a crítica foi pródiga em elogios a Moacyr, que esbanjou talento na telona. Por conta disso, ele colhe bons frutos. Voltou a se apresentar no Rio de Janeiro e foi surpreendido com o Teatro Revival lotado e a presença de famosos como o próprio Selton Mello. "Ele estava lá, assim como o Cid Moreira, o Elymar Santos. Além disso, o jornal O Globo e a Vejinha do Rio me deram meia página. Estou com a impressão de que estou começando de novo a minha carreira".
A empolgação não é à toa e Moacyr reconhece que sua atuação em O Palhaço está lhe abrindo outras portas."De repente, todo mundo me quer em seus filmes, todos querem conversar comigo".
Ele já recebeu dois convites para voltar ao cinema, mas é cuidadoso. "Eu não posso errar a segunda tacada, então eu prefiro esperar o Selton. Ele garantiu que todo filme que produzir ou dirigir terá um papel para mim. Vou, então, esperar".
"Adorei, adorei"
Moacyr não esconde que curtiu trabalhar com Selton. "Adorei, adorei, ele me convidou porque me admirava desde garoto, assim como chamou o Zé Bonitinho e o Ferrugem. Acho que ele precisava trazer para o filme esse sentimento de sua infância. Mas não é só, Selton tem um talento danado, escreve, atua e dirige muito bem".
A cena de três minutos foi suficiente para Moacyr mostrar que a arte está no seu sangue, mas ele diz que se limitou a seguir o roteiro. "Selton é humilde. Eu não entendo de técnica de atuação em cinema, mas dava minhas opiniões. Ele é muito bacana. Mas a cena eu fiz do jeito que o roteiro pedia. Só falou para eu fazer a voz grave que achava ideal".
Até que ponto o fato de cantar ajudou Moacyr na interpretação do Delegado Justo? "Minha história profissional ajudou muito. Lá atrás eu tive um mestre, um cara chamado Mario Brasili, que tinha um programa chamado Bona Note Carmella. Eu ia assistir ao vivo no estúdio, para ver de perto a riqueza de sua entonação e pausas Foi inspirador".
"Bom para mim é amanhã cedo"
Moacyr compõe e já fez música para muita gente boa gravar. Poder ser romântica, sertaneja, como Se Eu Não Puder Te Esquecer, para a dupla João Mineiro e Marciano, Filho de Maria, por Chitãozinho e Xororó, e ainda Tudo Vira Bosta, gravada por Rita Lee, e tema da novela Senhora do Destino, da Globo. "Eu não paro de compor e gravar, mas as rádios não tocam, estão ocupadas por programas de pastores e pela influência da música estrangeira. Gravo sempre e agora estou em um projeto com uma dupla sertaneja de Ribeirão Preto que acho que vai ser sucesso".
Mas ele tem vontade de fazer um disco de músicas inéditas. "O último show que fiz no Coliseu chamava Se Me Deixarem Viver, que é o nome de um disco meu e que acho que em algum momento alguém vai olhar para aquilo, prestar atenção e dizer: vamos relançar".
Enquanto a mídia não descobre o que Moacyr vem fazendo, ele dá outro jeito de promover seu trabalho. "Eu gostaria de fazer um DVD, mas é muito caro. Nessa altura da vida não quero fazer nada malfeito".
Já deu para perceber que Moacyr vê na internet uma bela ferramenta. "Acho maravilhosa e definitiva. Vou colocar na internet um seriado sobre um homem da minha idade querendo casar de novo. Sou eu e 25 mulheres. É engraçado, mas todos os finais são emocionantes e até dramáticos".
Planos
O que mais Moacyr quer fazer e quais os seus planos? "Você está perguntando isso para um cara que se sente com 20 anos. Meus planos são escrever, gravar, compor sem parar e continuar cuidando do físico. Eu estou produzindo o disco de Johnny Franco, meu filho de 17 anos. É um CD de rock, de surf music. Eu não paro e não fico naquela coisa de que bom era no meu tempo. Bom para mim é amanhã cedo".
Mesmo assim não descuida da saúde. "Eu faço tratamento ortomolecular desde o tempo que não tinha esse nome. Levo a saúde muito a sério".
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