A alta audiência nas noites de quita-feira comprova a tese do humorista. O programa tem obtido média de 10 pontos, com picos de 13, e ocupado a vice-liderança absoluta. Não raro, chega a beliscar a ponta, incomodando "Amor & Sexo", apresentado por Fernanda Lima, da Rede Globo, que tem média de 12 pontos.
"Não tem segredo. Procuro fazer o programa que o público gosta. Não faço um programa para ele ser de vanguarda, para criar um humor novo. Eu faço o feijão com arroz bem-feito", explica Carlos Alberto.
Isso significa que ele acompanha o preparo do trivial de perto. Além de ler o jornal na praça e esperar pela passagem dos personagens, Carlos Alberto escreve alguns quadros e é responsável pelo texto final do programa. Piada pesada, com palavrões, religião e cor, são cortadas.
"Não deixa de ser uma censura, mas é uma censura benéfica. Sou obrigada a respeitar a família. Não posso agredir o telespectador", diz. Na hora da edição, ele afirma deixa os quadros com piadas com conotação mais sexual para o último bloco. "Depois de meia-noite e meia, é hora de criança já estar na cama. E eu tenho um pouco mais de liberdade", diz o apresentador que proíbe a filha de 11 anos assistir televisão. "Um minuto de televisão atrapalha um ano de educação que você dá ao seu filho", justifica.
Sem medo de parecer chato ou ultrapassado, Carlos Alberto assume: "Eu patrulho o humor. Eu sou um patrulheiro. O humor tem um limite", observa e cita como exemplo o caso de Rafinha Bastos, do "CQC", que fez piada com o filho que a cantora Wanessa espera. "Ele ultrapassou todos os limites. Embora eu goste dele, acho que foi uma infelicidade do tamanho de um bonde. Há um limite para brincar com as pessoas."
O humor do "Pânico” também não agrada Carlos Alberto. Por outro lado, é fã do "CQC", que para ele é um "Pânico" com limite. "Gosto da coragem de eles abordarem assuntos polêmicos. Eles não ridicularizam ninguém. As pessoas é que são ridículas. Por exemplo, um deputado não saber o que é BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social", exemplifica.
O formato do programa de Carlos Alberto segue o formato criado por seu pai Manoel de Nóbrega em "A Praça da Alegria, em 1956. Apesar disso, tem incluindo humoristas de stand up no início de "A Praça É Nossa". "É a forma de humor mais antiga que existe, mas passou a ser moda. Passamos a trazer convidados toda a semana e dá resultado. É também uma oportunidade de mexer no formato sem o público perceber uma mudança brusca", explica.
Destas participações, saíram dois novos atores fixos no programa: Beto Gabriel, que faz o gaúcho Tibúrcio. E Guilherme Uzeda, o "podre de pobre" Zildo, dono do bordão "Graças a Deus". Outro nova aposta é a menina Nina, personagem de Marlei Cevada, também humorista de stand-up.
"Sempre tivemos a tradição de lançar novos valores, mas também de segurar os velhinhos", observa Carlos Alberto. Como Jorge Loredo, de 86 anos, o Zé Bonitinho. O personagem, embora contratado pelo SBT, faz poucas participações. Outro exemplo é Canarinho, como é mais conhecido o ator Aluísio Ferreira Gomes, de 84 anos, que há dois anos não participa do humorístico.
Outro costume de "A Praça É Nossa" é servir de abrigo para todo tipo de artista e celebridade que aos poucos vai perdendo espaço. No atual elenco, estão Luiza Ambiel (ex-banheira do Gugu), Pierre Bitencourt, o Mosca da novelinha "Chiquititas" e a cantora Syang, ex-"Casa dos Artistas". Depois de deixar a Record, Alexandre Frota também encontrou um lugar no elenco de Carlos Alberto.
Ela conseguiu voltar a televisão e, de quebra, ganhou o coração de Carlos Alberto, que naquela época, abatido após a separação de Andréa de Nóbrega pensava até em parar de gravar o programa. "Ela virou a minha vida", diz. E garantiu "A Praça É Nossa" no ar.
Fonte: Bom Dia Sorocaba
Nenhum comentário:
Postar um comentário